sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Marília segue a tendência de país de primeiro mundo quanto à queda da taxa de crescimento e à taxa de fecundidade.



Em se falando de crescimento populacional, a dinâmica demográfica de Marília segue a tendência nacional e estadual de forma mais radical, com queda do percentual de crescimento nos dois últimos períodos intercensitários e tendo, como um dos fatores principais, a queda da fecundidade. Ponto positivo para a qualidade de vida dos marilienses. 

Visto por outra ótica, o crescimento, mesmo abaixo da média, expulsa os moradores para a periferia com esvaziamento dos centros. Ponto negativo para a qualidade de vida dos marilienses.
           

            O Brasil chegou, ao final da primeira década do novo milênio, com uma população de 190.732.694 habitantes. O municipio de Marília contribui com 0,11% dessa multidão.  A população brasileira tem experimentado uma dinâmica demográfica de primeiro mundo, onde encontramos uma queda nas taxas de crescimento devido às constantes quedas das taxas de fecundidade. Para se ter uma idéia dessa situação, a população brasileira, entre os Censos de 1991 e 2000, cresceu na ordem de 15,6% e agora, entre 2000 e 2010, caiu para uma taxa de crescimento de 12,3%. Marília não é diferente: tivemos nos últimos anos uma queda maior do que a taxa nacional no que toca a taxa de fecundidade como também em relação à taxa de crescimento da população.

            O total da população de Marília no resultado do Censo Demográfico de 2010 aproximou-se bastante das estimativas intercensitárias. No Brasil, o Censo Demográfico é realizado de 10 em 10 anos com dois questionários: um menor, com menos perguntas, que é respondido por todos os domicílios e outro, maior, que é respondido pelos domicílios pertencentes a uma amostra aleatória que, dependendo do porte do município, pode variar de 5% até 50% dos domicílios. Por enquanto, foram divulgados dados referentes à população, gênero e domicílios e é do total da população que vamos falar neste momento.

            Como o Censo Demográfico é realizado de 10 em 10 anos alguns institutos de pesquisa “estimam” a população para os anos intercensitários e, no caso das estimativas para os municípios do Estado de São Paulo temos duas fontes: o SEADE e o IBGE. A estimativa que o SEADE fazia para do município de Marília, anos antes do Censo acontecer, era de 216.431 habitantes para julho de 2010 enquanto o IBGE estimava para julho de 2009 o total de  225.938 habitantes. Podemos ver que a estimativa do SEADE é muito próxima do resultado do Censo Demográfico enquanto a do IBGE mostrava uma estimativa maior, mas ambas muito próximas do resultado final que foi de 216.684 habitantes.

            Desde o Censo de 1991 o Brasil vem experimentando uma realidade demográfica de países de primeiro mundo que é a radical queda de crescimento em função de uma queda também radical da fecundidade da população feminina. Somado ao aumento da expectativa de vida, essa dinâmica levou ao envelhecimento da população. A dinâmica da fecundidade e em menor escala, da migração, fazem com que as taxas de crescimentos da maioria dos municípios  declinem cada vez mais.

            Para entendermos um pouco mais a principal variável que influencia a dinâmica demográfica da população, apresentamos abaixo a tabela com a taxa de fecundidade calculada pelo SEADE. Podemos constatar que a taxa de Marília caiu muito entre os anos de 1980 e 2009 e é menor em relação à taxa do Estado de São Paulo como também menor do que as duas Regiões a que Marília pertence, a Administrativa e a de Governo.



1980
1991
2000
2009
 Total do Estado de São Paulo
109,12
75,42
65,56
51,17
 Região Administrativa de Marília
105,37
73,58
60,18
46,23
 Região de Governo de Marília
111,10
74,12
60,72
44,45
 Município de Marília
106,05
72,34
58,41
42,51

“Conceito de Taxa de fecundidade geral: Relação entre o número de nascidos vivos ocorridos numa determinada unidade geográfica, num período de tempo, e a população feminina em idade fértil (15 a 49 anos) residente na mesma unidade estimada para o meio do período.”
               No ano de 2009, última taxa  calculada pelo Seade, as mulheres em idade fecunda de Marília apresentavam a taxa de  42,51 nascidos vivos por mil mulheres contra 51,17 para o total do Estado de São Paulo acontecendo, desta maneira, uma pressão muito menor do município no crescimento da população.  Claro que, como colocado acima, além da taxa de crescimento, outras duas variáveis demográficas são forças menos importantes na dinâmica demográfica mariliense: a mortalidade geral e a migração. Os dados de migração para o Censo de 2010 estarão disponíveis apenas para o final deste ano ou no início de 2012.
           
            Nas duas tabelas abaixo são comparadas as séries históricas, em números absolutos e percentuais, do crescimento das últimas quatro décadas. Podemos ver que tanto no Brasil como no Estado de São Paulo, há um processo ininterrupto de queda nas taxas, enquanto que Marília tem um grande incremento de população na década de 80 sendo que, nas duas próximas décadas, acompanha a queda do Brasil e do Estado.
           
            Importante atentar para o detalhe de que, independente da variação para cima ou para baixo, tanto na década de 80 como na de 90, Marília tinha uma taxa de crescimento maior que a do Brasil e do Estado, enquanto que  na última década (2000 à 2010) Marília passa a ter uma menor taxa em relação aos outros dois níveis geográficos (9,80%).

Variação percentual de crescimento da população entre os Censos Demográficos de
1979/1980, 1980/1991, 1991/2000 e 2000/2010

Brasil, UF e Município
 Crescimento entre 1970 e 1980 (%)
 Crescimento entre 1980 e 1991 (%)
 Crescimento entre 1991 e 2000 (%)
 Crescimento entre 2000 e 2010 (%)
 Brasil
27,78%
23,37%
15,70%
12,28%
 Est. São Paulo
40,92%
26,14%
17,24%
11,39%
 Marília
24,03%
32,34%
22,46%
9,80%






Total da população nos Censos Demográficos de 1970, 1980, 1991, 2000 e 2010.

Brasil, UF e Município
Total da população em 1970
Total da população em 1980
Total da população em 1991
Total da população em 2000
Total da população em 2010
Brasil
      93.134.846
      119.011.052
      146.825.475
      169.872.856
      190.732.694
Est. São Paulo
      17.770.975
        25.042.074
        31.588.925
        37.035.456
        41.252.160
Marília
             98.176
             121.768
             161.149
             197.342
             216.684










           No gráfico abaixo podemos verificar que o Brasil, no Censo de 2010, que tinha uma menor taxa de crescimento em relação ao Estado de São Paulo e Marília, passa a ter um crescimento maior sendo que Marília passa a ser, dos três, a que menor taxa apresenta.


 
              No cartograma abaixo apresentamos  todos os municípios do Estado de São Paulo com as suas respectivas faixas de crescimento representados por cores:
a)      Menos que 1%, inclusive taxas negativas abaixo de 0 (queda): na cor vermelha com 137 municípios.
b)      De 2% a 10% de crescimento: na cor laranja com 216 municípios (inclusive Marília).
c)      De 11% a 20% de crescimento: na cor amarela com 183 municípios .
d)     De 21 a 50% de crescimento: na cor azul claro com 98 municípios.
e)      Maior que 50% de crescimento: na cor azul escuro com 15 municípios.

            Importante salientar que as grandes taxas de crescimento em municípios pequenos  são decorrentes  de instalação de penitenciárias como Iaras, Pracinha e Balbinos. Este último tinha no ano de 2000 apenas 1313 habitantes e, no ano de 2010, passou a ter 3932 habitantes tendo um crescimento de 199,47%.

            Os municípios com taxas negativas, ou seja, que tiveram sua população diminuída, e os que tiveram taxa de até 1% de crescimento (basicamente estáveis) estão nas cor vermelha. Eles estão mais localizados no sul, e noroeste do estado sendo que Marília está inserida nesta região. Essa dinâmica já vem dos últimos censos demográficos. Neste último Censo de 2010 encontramos 98 municípios do Estado de São Paulo (de um total de 646) com taxas negativas. Já no Censo anterior, entre 1991 e 2000 foram encontrados 86 mostrando um crescimento dos municípios em queda. Os com 0% e 1% (estáveis) são compostos por 17 municípios com zero por cento arredondados (positivo)  e, 22 municípios com 1 %. A média foi de 12,48% estando Marília abaixo da média.

            Mas o fato de Marília estar abaixo da média , a meu ver não é ruim, muito pelo contrário. Isso só é ruim para o capital imobiliário que não realiza seu lucro como esperava. Ao especular com a terra urbana, expulsa a população cada vez mais para a periferia, para as escarpas dos Itambés.  Um dos grandes problemas urbanos da contemporaneidade é exatamente o oposto do baixo crescimento, o problema é o adensamento da população em determinadas áreas de atração.  É o caso da Região Metropolitana de São Paulo, Guarulhos, Campinas, etc. que tem a qualidade de vida de seus habitantes cada vez mais degradada. O FUTURO É O DAS CIDADES MÉDIAS. NEM GRANDE MEGALOPOLES NEM PEQUENOS MUNICÍPIOS COMO BORÁ QUE TEM MENOS DE 1000 HABITANTES.

            Podemos ver no cartograma os municípios nas cores em azul que têm sido as áreas de atração no processo migratório, já que a fecundidade, por se universalizar, influência de forma muito parecida no espaço, deixando apenas para à migração a força que define as grandes DIFERENÇAS nas variações das taxas de crescimento. 
     


           

               Outra variável importante que devemos atentar é para onde crescemos dentro do município? Já no ano de 2000, os resultados intra-urbano do Censo Demográfico, para o município de Marília, apresentavam a queda da população em áreas nobres dos centros comerciais demonstrando uma perda da qualidade deste crescimento, ou seja,  a expulsão, pelo mercado imobiliários da população para a periferia deixando duas grandes áreas centrais vazias de população, com taxas negativas de crescimento ( representadas essas pela cor cinza, no cartograma abaixo)




            Isso pode ser decorrência de, entre outras, duas variáveis. A transformação de construções domiciliares em prédios comerciais como também imóveis vagos à espera de valorização imobiliária.

            No cartograma acima podemos verificar que uma grande área no centro histórico do município, tendo seu centro nas confluências da Av. 9 de Julho e a Sampaio Vidal,  como também no centro comercial da região da Nova Marília (áreas em cinza), nas proximidades do SESI, tiveram queda na população entre os Censos de 1991 e 2000, chegando a percentuais negativos de -41,69% enquanto na periferia, nas áreas vermelhas, chegamos a ter um incremento de população de mais de 1000% (setor 1161) seguidos de mais 5 áreas  de, em torno, 200% de crescimento,  forçando a população para as escarpas dos Itambés, como foi o caso do Figueirinha (entre outras áreas) que quase vai para o fundo do vale em função de estar em terreno fora dos padrões legais do Código Florestal (ver foto abaixo) como também, entre outros, o novo conjunto habitacional de Padre Nóbrega que vai lançar em torno de 1000 pessoas para longe de quaisquer equipamentos públicos como escola, transporte, hospitais, etc. Ver fotos abaixo.
 
Deu no jornal Diário de Marília em 07/03/2009...
 "A Defesa Civil de Marília interditou, na manhã de ontem, 29 casas que corriam sérios riscos de desabamento na rua Pedro Laureano, no Figueirinha, zona norte da cidade. Imóveis cons­truídos pela CDHU apresentam série de rachaduras, principalmente na parte dos fundos, que fica à beira de um itambé. São 86 m de declive.
Considerada de alta pe­riculosidade, moradores foram orientados a deixarem as residências assim que começasse a chover.
Problema na região não é recente. Segundo moradores, desde 2006, um ano após a conclusão das obras do núcleo habitacional, as primeiras rachaduras já começaram a ser notadas. Em janeiro, Defesa Civil já havia interditado cinco casas pelos mesmos problemas.
Segundo a Defesa Civil as casas apresentam grandes rachaduras e o solo do local ainda está cedendo. Dez casas são as mais problemáticas, apresentando rachaduras desde o chão até o teto, inclusive nos muros."
Imagem de satélite Google da área da instalação do conjunto habitacional popular no Figueirinha. Ver a proximidade com a escarpa confrontando a lei do Código Florestal.


Fotografia da obra de contenção em função do risco de queda das casas no Figueirinha devido à proximidade das escarpas.

                     Imagem do Google do residencial popular em Padre Nóbrega. Longe de tudo e de todos.             

















Nota: O Censo Demográfico de 2010 apresentou dois resultados para o município de Marília - o mesmo ocorreu para todos os outros municípios. Por força de lei o IBGE tem prazo para apresentar o resultado do Censo através do Diário Oficial da Uniãon(DOU) para o Tribunal de Contas da União. O TCU calcula, a partir deste valor,  o rateio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) que é uma verba vinda do Governo Federal que é a salvação para muitos municípios pequenos.

Esses números são publicados pelo DOU que, junto com a publicação, dá um prazo para que os municípios questionem esses valores. No caso de Marília o total publicado foi de 214.742 habitantes. Como após a publicação os trabalhos de coleta continuaram por algumas semanas para encontrar os moradores dos domicílios fechados, o total final foi de 216.684 habitantes. Importante salientar que os poucos domicílios em que não foram encontrados os moradores, por motivos vários como viagem, internação, etc., não prejudicaram o total final, pois foi utilizado metodologia internacional para “imputar moradores” nestes domicílios.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Pendências ambientais em Marília.

PARTE 1 - Tarefas para o novo ano de 2011
Devido a abrangência do tema, ele será tratado em várias postagens.


Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens
reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de vôo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes.

Poesia “Cartão de Natal” de
João Cabral de Melo Neto.




Um dos mais completos e respeitados diagnósticos da situação ambiental nos municípios paulistas é a avaliação do Programa Município Verde e Azul criado, originalmente, com o nome de Município Verde. A mudança de nome deveu-se à necessidade de incluir a preocupação estratégica com a “vertente água” como demonstra o lançamento do programa Pacto das Águas em 2009, da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SMA), assim como o Município Verde, os dois fazendo parte de um conjunto de 21 Projetos Ambientais Estratégicos da SMA. Estranhamente, a página referente a Metas e Programas Municipais de Marília, no programa Pacto da Águas, está vazia no que toca às informações de responsabilidade do município, mas isso fica para uma futura postagem.  

Esta abrangente pesquisa da SMA, o Município Verde e Azul, é interessante por que faz um levantamento da situação ambiental, das intenções  e dos avanços reais em relação às  10 diferentes diretivas ambientais de responsabilidade da gestão pública municipal, totalizando 55 variáveis para a maioria dos 645 municípios paulistas que se inscreveram de forma voluntária.

Os municípios se inscrevem no programa e o Governo do Estado auxilia-os para que alcancem os objetivos propostos pelo Protocolo Verde de Gestão Ambiental Compartilhada. No final do ano o governo estadual faz uma avaliação dos vários quesitos de cada um das diretivas, com notas de zero a 100, publicando assim o Índice de Avaliação Ambiental (IAA).  Ver a fonte das informações em:  http://www.ambiente.sp.gov.br/municipioverdeazul/

Aqueles municípios que conseguem atingir a nota 80 são “certificados”, ou seja, recebem o certificado de “Município Verde Azul”. Isso não é apenas um diploma que certificam os municípios, um pedaço de papel para colocar na parede da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Essa certificação garante a estes municípios prioridade nas transferências de recursos das políticas ambientais do governo estadual – transferência de receita para investimento. Em 2010, do total de 645 municípios existentes em São Paulo, 614 estavam inscritos no programa e 143 foram certificados.


Corte de Paineira
na Praça Arthur Cavichioli

Neste último dia 17 de dezembro foi divulgada a terceira avaliação do programa e o município de Marília tem ficado em uma posição nada invejável em sua série histórica de notas. Ao verificarmos as diretivas separadamente, ou seja, desagregando-as em suas várias variáveis, verificamos que há alguns pontos que avançam, chegando a notas excelentes como a Educação Ambiental nas escolas do município, que é destaque desde o início nas diretivas, como também a diretiva Estrutura Ambiental. Como nada é perfeito, temos outras não tão boas como as de Arborização Urbana e Poluição do Ar - para não falarmos das duas questões históricas de nosso município que são as diretivas Esgoto Tratado e Lixo Mínimo (ver as 10 diretivas no final do texto).

Claro que o município tem interesse em chegar à nota 80 e tem feito várias ações para isso, ainda que as ações fiquem mais no nível legal do que concreto de fato. De qualquer maneira essas ações, mais superestruturais do que estruturais, são pontuadas na avaliação feita pela secretaria estadual, portanto crescem as notas.

É o caso, por exemplo, da lei de 19 de outubro de 2010, pertencente à diretiva Habitação Sustentável, que obriga as empresas participantes de licitações no município a apresentarem registro no CADMADEIRA. O CADMADEIRA é um cadastro que controla a procedência das madeiras nativas. Infelizmente essa lei ainda não está sendo aplicada como devia, pelo menos em algumas licitações pesquisadas no site de licitação da prefeitura como a tomada de preço referente à reforma do Teatro Municipal. Em pregão específico de madeira, o CADMADEIRA é citado como requisito em função de normas estabelecido por Decreto Estadual e não o municipal. A licitação referente à Reforma e Ampliação do Berçário Nossa Senhora da Glória, de dezembro de 2010, não coloca como critério de habilitação o CADMADEIRA. Não sou especialista na área, mas acredito que a obrigatoriedade do CADMADEIRA deveria estar citada nos editais de licitação em que a madeira esteja citada nos  memoriais descritivos e planilhas.

Ônibus fora do padrão quanto à emissão de poluentes
na Av. Sampaio Vidal em 04/01/2011.
Outro avanço no segundo semestre do ano passado foi o Decreto 10.355, de setembro de 2010, onde estabelece que todos veículos e máquinas passarão por avaliação ambiental (fumaça) e, os que não passarem no teste, deverão ser retirados para manutenção. Importante lei que contempla quesito constante na diretiva Poluição do Ar, mas infelizmente não aplicada, como podemos ver pela condição do ônibus pertencente à frota da Prefeitura que aparece na foto. Este ônibus tem transitado pela cidade, nestas condições, já há muito tempo, pelo menos até o dia em que foi tirada a fotografia, 04/01/2011. A condição deste veículo da prefeitura já vem de longa data e que pode ser confirmado pela impregnação do carbono do escapamento na pintura traseira.

Queimada urbana na zona norte de Marília
em 04 de junho de 2009. 
Como último exemplo, entre outros avanços, foi a retomado do conselho de meio ambiente que fora esquecido por anos, apesar de exigência em lei municipal. Mas ainda continua no limbo o Conselho da Agenda 21, também legalmente criado pela Câmara Municipal, mas, esquecido.
O conselho do meio ambiente foi empossado novamente em julho de 2010 e é formado de forma paritária, ou seja, metade de seus representantes é de instituições governamentais e, a outra metade por pessoas oriundas da sociedade civil.
Claro que, também neste caso, há algum porém. O primeiro diz respeito à forma como foi montado o conselho, sem discussão junto à sociedade. Participo do Conselho de Habitação de Marília e, neste conselho, a sociedade civil foi amplamente convocada pela imprensa. Em reunião com todos interessados foram escolhidos os integrantes da sociedade civil, democraticamente, de baixo para cima – ponto positivo para o secretário do planejamento anterior. Esperamos que a atual secretária continue com a prática da gestão democrática.
Outro exemplo de modernidade na gestão pública, com a participação da sociedade, é a forma como são selecionados os integrantes dos Comitês de Bacias Hidrográficas – no meu caso o dos Rios Aguapeí e Peixe. Neste Comitê também a sociedade se reúne a parte dos representantes do Estado e dos Municípios e escolhem, entre eles, os representantes da sociedade civil que estarão representando este segmento no biênio. 
No Conselho do Meio Ambiente de Marília (CADES) existem muitos companheiros e companheiras combativos e comprometidos com as questões ambientais, mas a forma democrática de criação do conselho não aconteceu – essa é uma questão de princípios da gestão democrática. A formação veio de cima para baixo, sem discussão com a sociedade, uma canetada do executivo. Mas não podemos reclamar, pois parece que isso é prerrogativa da gestão pública. Gestão democrática da cidade seria bem diferente!
Outra questão no tocante ao Conselho de Meio Ambiente é a publicização das suas atividades. Ou seja, para que de fato haja a participação social na gestão ambiental de Marília, as datas das reuniões, suas pautas e seus resultados devem de colocados a público, o que não é feito. Não há notícias ou convocação na imprensa local como também não há no Diário Oficial do Município. Isso após o ano de 2007 quando esqueceram do Conselho.
Iremos tratar com mais detalhes os quesitos de cada Diretiva, ou seja, no varejo, em futuros textos. Neste texto ficaremos no atacado, no macro, na síntese. Necessário esclarecer que essa análise tem o objetivo de que, a sociedade com o um todo, ao tomar conhecimento de nossa situação ambiental, tire como tarefa neste novo ano a correção de rumo das diretivas com resultados ruins para que possamos, em 2012, vivermos em uma cidade ambientalmente correta. Ainda, a meu ver não tão importante, em segundo plano, recebermos mais receitas do Governo Estadual.
Começaremos a olhar o número fechado, síntese das 55 variáveis que o programa considera importante para a qualidade de vida da população.
Na tabela abaixo temos, para os três anos do projeto, a nota fechada, a posição de Marília no Ranking estadual e o total de municípios participantes.
:
Ano
Nota  de
0 a 100
Posição no ranking
Total de municípios inscritos que enviaram seus planos de ação.
2010
55,30
Ranking 329°
614
2009
31,18
Ranking 506°
570
2008
41,78
Ranking 217°
332

É importante atentarmos para o esforço de retomada, em 2010, após a queda de 2009. No ano de 2009 o município caiu tanto na nota como no ranking e esta situação se torna mais critica quando vemos que a média das notas de todos os municípios aumentou, portanto, ficamos na contramão - enquanto a maioria crescia nós caíamos.

Já no ano de 2010, foco da nossa análise, o município se reergueu. Mas é necessário atentarmos que, se fosse nota final de uma disciplina no ensino formal, teríamos “bombado” nos anos 2008 e 2009 e, passaríamos raspando em 2010.

Como pode ser visto nas notas dos  três anos estamos flutuando em torno de uma nota 50 sendo que o limite é 100. Estávamos ruins em 2008, pioramos em 2009 e, continuamos com uma nota ruim em 2010, apesar de uma melhora modesta.

É indiscutível a importância, para o meio ambiente da população mariliense, dos resultados da gestão municipal nos municípios do nosso entorno. Isso por que, em se tratando de questões ambientais não há fronteiras políticas e geográficas - os efeitos da degradação e todos males que ela carrega não respeita fronteiras Se analisarmos, juntamente com Marília, os municípios que fazem fronteira conosco, mais o município de Garça por estar à montante dos Rios do Peixe e do Rio Tibiriçá, portanto, vetor potencial de migração de poluição através das duas bacias hidrográficas, podemos verificar que:


Município
Ano 2010
2009
2008
Álvaro de Carvalho
23,81
Não participou
Não participou
Campos Novos Paulista
70,65
75,64
46,28
Echaporã
42,79
37,97
Não participou
Garça
85,68
74,50
67,90
Getulina
39,67
63,63
Não participou
Guaimbé
52,67
54,83
Não participou
Julio Mesquita
48,50
77,69
Não participou
Marília
55,30
31,18
41,78
Ocauçu
22,97
Não participou
Não participou
Oriente
22,78
Não participou
Não participou
Pompéia
87,38
56,30
Não participou
Vera Cruz
11,97
Não participou
Não participou
Média
42,26


A partir destas notas, de Marília e do entorno, com exceção de Pompéia, Garça e Campos Novos Paulista, podemos constatar que, na maior parte de nossa região, em 9 de 12 municípios, os gestores municipais não dedicam seus esforços de gestão ao meio ambiente.

Tem se dito que Marília tem uma nota baixa em função do tamanho do município (214.742 habitantes na publicação do Diário Oficial e, posteriormente, 216.684 no final do Censo de 2010) e, aqueles que estão com melhores notas, são aqueles com pequena população e, portanto, mais fáceis de serem cuidadas pela Gestão Pública.
Isso não condiz com a realidade pois os grandes municípios tem mais  estrutura e pessoal para fazer uma boa gestão ambiental. Corrobora com essa afirmação o fato de que, estão na relação dos municípios certificados, com nota acima de 80, municípios como São Paulo (11.244.369 habitantes), Ribeirão Preto (605.114 habitantes), Santos (419.757), Santo André (673.914 habitantes), Araraquara (208.725 habitantes), Sorocaba (586.311 habitantes), São José do Rio Preto (408.435 habitantes), etc.


Para subsidiar a discussão acima  coloco abaixo os 10 primeiros colocados e suas notas.

Ranking Municípios
População no ano de 2010
Nota final
1° SANTA FÉ DO SUL
29.235
94,96
2° ANGATUBA
22.211
94,06
3° GABRIEL MONTEIRO
2.705
92,84
4° SANTA ROSA DE VITERBO
23.871
90,64
5° PIRAJU
28.489
90,48
6° NOVO HORIZONTE
36.612
89,80
7° LUIZ ANTONIO
11.286
89,64
8° SÃO MANUEL
38.390
89,27
9° BARRETOS
112.102
89,04
10° PIACATU
5.287
88,78

Como podemos observar, são várias as diretivas que são acompanhadas pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo e, em cada uma delas,, são muitas as variáveis acompanhadas no decorrer do ano de 2010. Para 2011 com certeza, novas serão acrescentadas e outras retiradas. Voltaremos a tratar das análises de 2010 da SMA referentes às diretivas separadamente nos próximos textos...

As 10 diretivas são as seguintes:

Esgoto Tratado
3 variáveis
Lixo Mínimo
5 variáveis
Mata Ciliar
6 variáveis
Arborização urbana
8 variáveis
Educação ambiental
6 variáveis
Habitação sustentável
3 variáveis
Uso da água
6 variáveis.
Poluição do ar
7 variáveis
Estrutura ambiental
5 variáveis
Conselho de Meio Ambiente
6 variáveis


Saudações